A agricultura constitui o alicerce da alimentação humana, uma vez que aproximadamente 99,7% dos nutrientes consumidos têm origem nesta actividade. O sector enfrenta contudo desafios importantes: apenas 5% das terras do planeta são próprias para cultivo agrícola, e dessa área 74% já estão utilizadas, e a fração de água doce disponível é extremamente limitada, representando apenas 0,00025% da superfície terrestre.
Paralelamente, a população mundial ultrapassa a marca de 8 mil milhões, e mais de 920 milhões de pessoas enfrentam alguma subnutrição. Ao mesmo tempo, a participação da mão de obra agrícola tende a diminuir, prevendo-se que, até o ano de 2100, menos de 15% da população activa esteja envolvida neste sector.
Em face dessa escassez de recursos, observa-se um aumento no consumo de alimentos ultraprocessados e produtos “nofood”, que utilizam compostos e estabilizantes de baixo custo para substituir alimentos tradicionais, embora com menor valor nutricional.
A pandemia e os conflitos geopolíticos evidenciaram a vulnerabilidade do sistema alimentar global, ressaltando a importância estratégica da agricultura.
Dessa forma, a atividade agrícola está a transformar-se: deixa de ser vista apenas como um sector tradicional para assumir um papel moderno, sofisticado, de precisão para poder continuar alimentar e a tirar continuamente populações inteiras da faixa da subnutrição.
Hoje, em pleno séc. XXI, com um múltiplo de habitantes do globo em relação ao número que havia no final do séc XIX, há muito menos fome graças a esta evolução.
