Com a chegada de uma nova geração de agricultores e a oportunidade criada pela barragem do Alqueva, deu-se uma transformação industrial que impulsionou Portugal a tornar-se um dos maiores exportadores de azeite do mundo. Entre 2002 e o ano passado — ou seja, em duas décadas — os volumes de exportação multiplicaram-se por doze, e o valor por dezoito. Um crescimento sem paralelo na história do azeite a nível mundial ou na agricultura mediterrânica. Actualmente, o sector gera cerca de 900 milhões de euros por ano.
Algumas empresas envolvidas neste movimento — como a Elaia, a De Prado ou a Aggraria — pertencem hoje a fundos de investimento internacionais que detêm uma parte significativa das terras de regadio do Alentejo.
Outras, como a Olivomundo, a Herdade de Maria da Guarda ou a família Cameirinha, permanecem em mãos portuguesas.
Mas há também os pequenos agricultores. Nas colinas ondulantes de Serpa, o agricultor José Pedro Oliveira observa uma oliveira retorcida que conhece desde a infância. Esta árvore, que poderá ter mais de dois mil anos, continua a dar fruto. Representa outra escala de tempo, uma ligação profunda à terra e um saber ancestral transmitido de geração em geração.
Na sua propriedade familiar de 30 hectares, mantém-se viva uma paisagem em mosaico, composta por árvores de fruto, pastagens e um cultivo sustentável de oliveiras. É também aí que ainda se encontram 17 variedades locais de azeitona, adaptadas ao clima e naturalmente resistentes à seca.
