Dir-se-ia que a memória se perde no horizonte infinito do tempo quando a oliveira começou a fazer companhia ao ser humano. Ainda assim, hoje sabe‑se que foi a primeira árvore de fruto a ser domesticada, com vestígios arqueológicos a apontarem para o seu cultivo intencional há cerca de 7 a 8 mil anos no Vale do Jordão, no Médio Oriente.
Carvões de madeira de oliveira encontrados em Tel Zaf, num lugar onde a espécie não existia de forma espontânea, revelam árvores plantadas de propósito por mãos humanas, deixando-nos a mais antiga prova conhecida de uma relação de cuidado e domesticação entre um povo e uma árvore de fruto.
A domesticação da oliveira inaugurou uma nova relação entre as sociedades humanas e a paisagem, marcando o início do cultivo sistemático de árvores e de economias agrícolas mais complexas na região do Levante. Com o tempo, fenícios, gregos e romanos difundiram o cultivo da oliveira por toda a bacia mediterrânica, e oliveiras, amendoeiras e a árvore do pistache tornaram-se símbolos de uma agricultura de longo prazo e da própria civilização mediterrânica, cujo legado continua presente na alimentação, na cultura e na organização do território até hoje.
