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O azeite está a ser cada vez mais valorizado pelas suas propriedades saudáveis e qualidades sensoriais, o que tem levado a um crescimento no número de novos consumidores fora da região mediterrânea, onde é tradicionalmente presente nos hábitos alimentares das populações. Segundo o Conselho Oleícola Internacional, a procura mundial duplicou desde 1990 e prevê-se um aumento adicional de 10% até 2025 — bem acima das expectativas. Esse crescimento tem vindo, sobretudo, de novas regiões onde o ouro líquido está a integrar-se naturalmente às dietas alimentares.

Muito do azeite produzido em Portugal e noutros países da região mediterrânea acaba por seguir em grandes quantidades para ser embalado nos EUA, onde o consumo continua a apresentar crescimentos robustos.
Esse aumento na procura tem impulsionado investimentos em olivais, especialmente em sistemas modernos de alta densidade, mais produtivos e que geram retorno mais rápido. Um exemplo evidente é a região da Estremadura, na Espanha, onde a área de olivais irrigados aumentou 66% desde 2014, ultrapassando atualmente os 77 mil hectares.

Esse boom coincidiu com uma fase de preços elevados, impulsionada por crises sucessivas. No entanto, mais recentemente, os preços caíram drasticamente, tornando a produção tradicional menos viável. Em contrapartida, os olivais modernos de alta densidade continuam a ser rentáveis, pois atingem a produção comercial em apenas três anos, ao contrário dos sistemas clássicos, que levam décadas para se consolidar.


Alentejo lidera a produção de azeite

O domínio do Alentejo na produção de azeite em Portugal deve-se a uma combinação de uma nova geração de empresários agrícolas, a grandes inovações no setor, investimentos em infraestruturas e também a às condições naturais favoráveis.

Com o apoio do regadio proporcionado pelo projeto Alqueva, a região tem adotado modelos de cultivo modernos, como olivais em copa e em sebe, que entram em plena produção em apenas três a quatro anos. Esses sistemas permitem uma resposta rápida à procura crescente e uma maior eficiência na exploração agrícola.

Além disso, a instalação de lagares de grande capacidade e laboratórios especializados, com procedimentos rigorosos de limpeza e controle, possibilitou ganhos evidentes de economia de escala, redução dos custos de extração, aumento da qualidade do azeite e melhoria na rentabilidade do setor.
Fatores naturais também desempenham papel fundamental. O Alentejo possui solos profundos e um clima seco e quente, que favorecem variedades como a ‘Arbequina’, ‘Arbosana’ e ‘Cobrançosa’, muito apreciadas pela sua qualidade e produtividade.