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Uma equipa de historiadores italianos está a analisar uma garrafa de azeite com cerca de dois mil anos, encontrada na antiga cidade de Herculano — destruída, tal como Pompeia, pela erupção do Vesúvio em 79 d.C. Atualmente conservada no Museu Arqueológico de Nápoles, a garrafa e o seu raro conteúdo estão a ser estudados sob a direção do professor Raffaele Sacchi.

Restam apenas cerca de 0,7 litros deste azeite ancestral, provavelmente descoberto no século XVIII por investigadores em Herculano. Após dois milénios, o que sobreviveu dentro da garrafa são apenas vestígios de moléculas de azeite. Segundo os cientistas, os triglicerídeos — que compõem 98% do azeite — degradaram-se, separando-se novamente nos seus ácidos gordos originais. Curiosamente, alguns destes ácidos insaturados passaram por um processo de oxidação até agora desconhecido na decomposição natural do azeite.

Na Roma Antiga, o azeite era altamente valorizado, não só como alimento e conservante, mas também como moeda de troca no comércio mediterrânico. Agora, os investigadores esperam que o estudo deste “azeite de Herculano” traga novas pistas sobre a vida quotidiana e os hábitos dos romanos. O paleontólogo italiano Alberto Angela está convicto de que isso acontecerá.