Apesar da forte modernização e da grande concentração industrial de lagares em Portugal, quando falamos de quem realmente influencia o preço do azeite no mercado mundial, a resposta continua a estar do outro lado da fronteira: é Espanha que dita o preço global.
A explicação é simples. Espanha é responsável por cerca de 40% a 45% da produção mundial de azeite. Se a colheita espanhola é fraca, o preço internacional sobe rapidamente. Se a colheita for forte, o preço tende a descer.
Na prática, o mercado mundial do azeite funciona como um sistema onde Espanha é o “price-setter” — o país que marca o ritmo — e os restantes produtores ajustam-se.
Portugal, por sua vez, tem evoluído de forma impressionante. O sector tornou-se altamente eficiente, tecnologicamente avançado e é hoje um dos maiores exportadores per capita do mundo — possivelmente mesmo o primeiro.
No entanto, apesar dessa eficiência, Portugal continua a ser um “price-taker”, ou seja, segue os preços definidos pelo mercado dominado por Espanha.
Uma comparação ajuda a perceber melhor: se o azeite fosse petróleo, Espanha seria a Arábia Saudita. Portugal seria um produtor moderno, competitivo e eficiente — mas de dimensão média.
Portugal destaca-se sobretudo: na qualidade, na eficiência produtiva, nas margens industriais e na competitividade no mercado a granel.
Os dois países seguem modelos diferentes: Portugal tem maior concentração no topo, com unidades muito grandes e uma estrutura altamente industrializada.
Espanha, por outro lado, tem uma dimensão absoluta muito maior, mais lagares de grande escala e uma estrutura mais distribuída regionalmente. Essa dimensão é o que lhe permite manter a posição dominante na definição do preço mundial.
Ainda assim, neste “xadrez” global do azeite, Portugal tornou-se um jogador extremamente eficiente — e as melhorias portuguesas estão a pressionar Espanha a apostar cada vez mais na qualidade.
